O relógio do tempo não pára. Os dias viram noite, o clima, o vento, faz com que cada dia, cada hora, o mar produza uma cor e uma profundidade diferente. O sol nasce, produz um lindo dia, uma bela paisagem, e se põe. A noite chega e junto com ela, a lua e as estrelas tomam o lugar do sol. Assim, toda paisagem é também despedida.
Como os acontecimentos da natureza que nos circunda, os eventos de nossa vida também seguem este mesmo ciclo natural por mais que, às vezes, nós, adolescentes, jovens ou adultos, nos esforcemos para tentar pôr em conserva algumas vivências “de estimação”, aqueles ditos momentos felizes, ou até mesmo dores ou ausências “companheiras”.
O passado guardado em nossa lembrança costuma ser mais generoso do que a realidade foi outrora. Aquele encontro com alguns tropeços, depois de um tempo, torna-se uma noite inesquecível. Um show ao ar livre em noite de temporal parece uma aventura incrível, depois de um banho quente tomado e algum tempo para se recuperar do resfriado. As pessoas, ah... As pessoas... Essas sim deixam uma saudade sem precedentes.
O que nos faz prender em recordações e lembranças muitas vezes não passa de um apego – dispensável - ao que passou ou falta de coragem para viver hoje - o aqui e agora - e permanecer numa espécie de ato honorário pelo “conjunto da obra”, numa apreciação fixa, parada no tempo e no espaço. Sejam quais forem os motivos, atar-se a memórias e lembranças, mesmo que as melhores, nos empaca e nos deixa desatentos ao que ocorre ao nosso redor.
A vida é móbil, é andar para frente e levar consigo, sim, as boas lembranças e o aprendizado do que já passou. Mas é também aprender a trabalhar o desapego e limpar o baú das recordações e ajeitar a casa e o jardim receber o que já chegou ou o que está por vir. É jogar fora o que não serve mais, e, principalmente, abrir-se para o novo - para os novos amores, para as novas “melhores viagens”, para os novos “melhores dias da vida”. É saber olhar o álbum de recordações e sorrir, chorar, sentir saudades, mas, acima de tudo, saber a hora de parar de olhar as fotos amareladas e trocá-las para expor novas emoções, novas experiências.
Saber a hora de dizer adeus, é despedir-se do passado com a sabedoria de saber deixar-se seguir ao fluxo das noites, das tardes e dos dias.
Ju,
ResponderExcluirEsse seu texto merece figurar numa primeira página de jornal... Real e contundente... Adorei.