quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Eles não são hérois, elas não são bonecas

Desde que o mundo é mundo, a discussão sobre homens e mulheres é assunto que mobiliza fervorosos debates. Fala-se em igualdades de direitos, porém, enfatiza-se esta igualdade pautada nas diferenças.
Somos diferentes, disto não nos resta dúvidas. A diferença está inscrita no corpo, no comportamento, nas condutas sociais. Há certas regras que prescrevem o nosso comportamento que são distintas para homens e mulheres. Logo, ser homem ou ser mulher implica em maneiras diferentes de agir e interagir com mundo, de acordo com a norma. Mas às vezes, essas mesmas normas que servem para tornar o mundo inteligível, também escravizam homens e mulheres, meninos e meninas, em concepções e formas de vida que já não servem mais. Quantas vezes você já não ouviu: “Homem não chora” e “Mulher é o sexo frágil” ?
Essas crenças, como tantas outras que circundam os universos masculino e feminino, atam nossos adolescentes e jovens a formas de relacionamento que os privam da liberdade de ser, simplesmente, encarcerando-os em figuras de arquétipos tão antigos quanto à descoberta do fogo.
O mundo está mudando, e como conseguinte, as formas de se relacionar neste mundo. As relações estão sendo construídas de forma diferente e o nosso pensamento e expectativas precisam acompanhar este movimento.
Portanto, não exigir ou esperar que os homens sejam sempre heróis e provedores - que constantemente salvam desbravadamente a mocinha - é tirar destes um peso enorme, carregado por séculos. Por outro lado, perceber que há muito, as mulheres não podem ser mais representadas por “essa mocinha” que sempre precisa de um herói para salva-la, é devolver-lhe a autonomia, retirada pelo patriarcado. Neste sentido, relembro aquela famosa boneca, que, para ficar de pé, precisa de apóio externo- uma pseudomuleta de acrílico- que as prendem, impedindo de caminhar sozinhas.
Descortinar os arquétipos é devolver-lhes a autonomia perdida por anos de dominação masculina e opressão, de ambos e perceber, há tempo, que eles não são heróis e elas, não são bonecas.

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