quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Quando a metade é o que falta

Em dias de guerra - bélica, do consumismo, da inveja, da fome e da violência - o que nos salva é a bagagem que trazemos em nossos corações: o amor.
O amor, sentido pelo próximo, seja ele mãe, pai, irmãos, amigos, ou até por aqueles a quem nós não conhecemos. Mas é do amor dos apaixonados, dos amantes de quero lançar luz e tentar registrar uma centelha em meio ao turbilhão de emoções e confusões.
O amor lírico, profetizado por contos de fadas, quando somos crianças e filmes hollywoodianos, quando somos mais crescidos, nos oferecem uma forma de amor perfeita demais – porém, engessada e presa em si mesma.Além de dificílima de se encontrar na vida real. Não falo dos efeitos especiais, da música de fundo, ou da chuva ou pôr-do-sol providencial, que aparecem tão logo o casal de enamorados surge. Disso eu até gosto, apesar de nunca ter ouvido falar que tais encontros aconteçam com tanta freqüência na vida real. Mas, a confusão causada pela disseminação do ideal dos romances fictícios é de ordem conceitual - a idealização extrapola o imaginário coletivo e acaba sendo perseguido por nossos jovens e adolescentes sem tréguas fora das páginas ou das telas.
Não é de hoje que ouvimos falar do mito do amor romântico, que sofre a ausência, que sucumbe à perda e que procura no outro, a “sua metade”. Procurar a metade significa dizer e sentir que não se é inteiro. E mais, a única forma de tornar-se inteiro é mediante o encontro e a presença de outro, tornando-se assim um só.
Um só ser, amor do tipo “dois em um” é considerar-se incompleto por tempo demais, é não se considerar feliz e inteiro estando sós, nem que seja por alguns momentos. Não ser inteiro é precisar sempre do outro, como numa espécie de simbiose relacional.
Nos relacionamentos amorosos, há de se pensar em ser dois, 1+1, numa matemática saudável entre duas pessoas que se precisam e se complementam, ao invés de serem “metade de gente”, a procura de outra metade. Quando a metade é o falta, a ausência de si é o que se tem.
A idéia de ter a sua metade em algum lugar para ser encontrada, é romanticamente sedutora, mas não funciona na vida real, quando precisamos de pessoas inteiras, para caminhar juntas às alegrias e desavenças desta vida.

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